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New York, March 1st 2017. Heavy traffic in 8th Avenue. Ride hailing apps are drawing travelers from public transit (Edu Bayer for The New York Times) HAIL NYTCREDIT: Edu Bayer for The New York Times

Aplicativos como Uber podem piorar congestionamentos

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Quando a Uber chegou a Nova York em 2011, o número de usuários do metrô havia crescido a cifras vertiginosas, e o preço das licenças para dirigir um táxi amarelo era US$ 1 milhão de dólares.

Mas a Uber prometeu que seu táxi chegaria ao simples toque de uma tecla. Seis anos mais tarde, a Uber e outros aplicativos para este tipo de serviço estão florescendo. Um exército de cerca de 50 mil veículos licenciados, que transportam centenas de milhares de pessoas pela cidade diariamente, está se tornando rapidamente uma ameaça existencial para os táxis tradicionais e já tira passageiros dos metrôs e dos ônibus, ao mesmo tempo que aumenta a preocupação com o agravamento da condição do trânsito nas ruas.

Este novo serviço se expandiu rapidamente nas cidades do mundo inteiro, alterando a própria paisagem das viagens urbanas. As corridas com os táxis tradicionais vêm caindo, enquanto a utilização dos serviços de táxi por chamada cresceu de maneira espantosa para cerca de 16 milhões de passageiros em outubro do ano passado, em comparação aos 5 milhões em junho de 2015, segundo um estudo independente. O preço de uma licença de funcionamento dos táxis comuns despencou, e muitos motoristas abandonam os carros amarelos nas garagens e preferem prestar o serviço para a Uber.

Por outro lado, o número dos usuários de metrô caiu consideravelmente pela primeira vez desde 2009.

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O preço de uma corrida agendada via aplicativo pode custar cerca de US$ 5. Duas pessoas em Nova York compartilhando uma corrida da Uber (Edu Bayer para The New York Times)

O preço de uma corrida num carro chamado por meio do aplicativo pode ser de apenas US$ 5; o custo da passagem de metrô, um centenário meio de transporte, é de US$ 2,75.

“Chegamos a um ponto em que as pessoas preferem viajar pela Uber, porque os metrôs ficaram insuportáveis”, disse Thomas K. Wright, presidente da Regional Plan Association, grupo que elabora políticas para a cidade.

Ônibus e metrô já não são tão atraentes — os ônibus ficam parados no meio do trânsito, os trens atrasam, as plataformas estão superlotadas e frequentemente ocorrem panes mecânicas.

Patricia Martinez deixou o ônibus por um aplicativo chamado Via, que cobra uma taxa fixa de US$ 5 para as corridas na maior parte de Manhattan. “Eu não teria mais condições de pagar um táxi amarelo o tempo todo”, afirmou. “O preço faz toda a diferença e os carros são ótimos”.

Mas os veículos desta nova modalidade de transporte público também contribuem para os congestionamentos. A velocidade média no centro da cidade caiu cerca de 12%, no ano passado, em comparação com 2010, de acordo com dados da prefeitura. O serviço do metrô já é mais competitivo porque é insustentável para a cidade crescer e continuar aumentando o número de veículos, disse Bruce Schaller, um antigo funcionário de alto escalão da área de transportes, que preparou o relatório sobre os serviços de táxi por chamada.

“Este é um sinal de alerta para que se tomem medidas capazes de resolver a questão dos atrasos, das superlotações e da quantidade de problemas que as pessoas enfrentam diariamente com o trânsito”, disse.

A comissária dos transportes da prefeitura, Polly Trottenberg, afirmou que embora o serviço de táxi por chamada tenha se tornado popular, considerando que contribui para aumentar o número de veículos nas ruas, “precisamos olhar suas implicações, o que poderá incluir os congestionamentos, a diminuição da qualidade do ar, a redução da segurança e mesmo o declínio do uso do transporte público”.

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O número de usuários do metrô caiu pela primeira vez desde 2009, mas os trens e plataformas continuam lotados (Edu Bayer para The New York Times)

Os aplicativos mais usados em Nova York para chamar um táxi — Uber, Lyft e Via — e seus defensores afirmam que há várias razões para o aumento do congestionamento, como as construções, as entregas por caminhão e o intenso trânsito de pedestres. As empresas afirmaram que, na realidade, elas reduziram os congestionamentos mediante o uso mais eficiente das ruas, e que se consideram um suplemento, e não substituto do transporte público.

A Autoridade de Transportes Metropolitanos de Nova York sofreu um sério golpe na arrecadação, porque recebe um financiamento proporcionado pelo sobrepreço de US$ 0,50 para cada viagem de táxi. Segundo as autoridades, a mudança dos táxis para os aplicativos custou ao departamento cerca de US$ 28 milhões desde 2014.

A Citizens Budget Commission, uma entidade independente que monitora os transportes, também indaga se Nova York poderá contar ainda com US$ 1,2 bilhão da receita esperada da venda futura das licenças para táxis.

Nicole Gelinas, pesquisadora sênior do Manhattan Institute, afirma que os aplicativos podiam atrair usuários com preços artificialmente baixos porque eram subsidiados pela entrada de dinheiro dos investidores. Além disso, eles tornaram mais fácil para os usuários viajar “pelo modo mais ineficiente de transporte possível”.

Muitos especialistas em transporte público apoiam um plano que reduza o congestionamento cobrando os motoristas que entram no centro de Manhattan. Outras cidades, como Londres, já adotaram este sistema em que o motorista paga pelo congestionamento.

Alguns funcionários dos transportes consideram os aplicativos um aliado em seus esforços para convencer os habitantes da cidade a desistir de ter um automóvel. Os usuários da Uber e da Lyft usariam com mais frequência o transporte público, mostra um estudo.

Mas em Nova York, onde menos da metade dos habitantes tem um automóvel, as pessoas há tempos usam o transporte público e os táxis amarelos, e muitas passaram a utilizar os aplicativos para substituir estas maneiras de viajar. Para William Prince, 31, o preço é o que mais importa, principalmente quando não se pode confiar no metrô. “Em geral o custo-benefício vale a pena para evitar o transtorno”.

 

Fonte: ESTADÃO

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Sobre Carlos Laia

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