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Passageiros da Uber relatam de roubo a assédio por motoristas de aplicativo

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Jéssica (nome fictício), 24, diz ter sido assediada por motorista da Uber
Noite de maio de 2016, zona oeste de São Paulo. Jéssica pega um Uber para levá-la a uma casa noturna. Durante o percurso, o motorista diz que ela é bonita, tenta convencê-la a jantar com ele, diz que eles vão se casar e, horas após deixá-la no destino, ele fica ali, na porta da casa noturna, aguardando ela sair.

Manhã do mesmo mês, aeroporto de Guarulhos. Evandro chega de um voo internacional e chama um Uber para levá-lo para casa. Iniciada a corrida, o motorista atende a uma ligação e pergunta se tudo bem pegar um parente que precisa resolver um problema no caminho. O “familiar” entra no carro e, armado, anuncia um sequestro-relâmpago.

Essas são algumas das acusações a motoristas do aplicativo registradas em boletins de ocorrência no Estado de São Paulo. A Folha analisou as 1.120 queixas nas quais aparece a palavra “Uber”, feitas entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2017 e obtidas pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação.

Dessas, 684 tinham relação direta com o aplicativo, que domina cerca de 90% desse tipo de serviço na cidade.

A maior quantidade de registros se refere a roubos, furtos e sequestros-relâmpago (319), conflitos com taxistas (153) ou acidentes de trânsito (135). Na maioria dos casos, os motoristas do aplicativo foram vítimas de crimes. A prefeitura estima em cerca de 50 mil o número de carros de aplicativos que rodam na cidade.

Há, porém, uma série de queixas por crimes praticados pelos profissionais que dirigem para a empresa, mesmo em um serviço anunciado como seguro aos usuários pela possibilidade de rastrear o percurso e identificar o motorista. A Uber diz manter diferentes medidas de prevenção.

“Fiquei bem abalada”, conta Jéssica (nome fictício), 24, sobre o caso de assédio que sofreu. O motorista insistiu em manter contato com a moça, ligava para ela com insistência e chegou a telefonar para o trabalho dela e ameaçá-la.

“Tive que sair deitada no banco de trás no carro de um diretor da empresa”, conta, sobre os dias de medo. Destituído da Uber, o motorista já respondia na Justiça por uma acusação de estupro.

No caso de Evandro Luiz Feres, 50, foram horas de terror no Uber. Os criminosos o forçaram a fornecer a senha da conta e sacaram todo o limite (R$ 1.300), além de ficar com todos os pertences que ele trazia na mala, como câmera, tablet, notebook e celulares.

Rodaram com ele por aproximadamente cinco horas. “Diziam que iam me matar, queriam que eu ligasse para a minha família”, diz Feres.

Em outra ocasião, a fotógrafa Larissa de Souza, 24, pediu que um carro do aplicativo a buscasse no pet shop com o seu cão, da raça pug.

“Quando ele chegou e baixou o vidro, falou: ‘Agitado, né?’ [sobre o animal]. Eu disse que levava no colo. Depois de me deixar, ele arrancou com o carro e jogou em cima de mim”, afirma Larissa.

Em todos os casos, o trauma levou a um distanciamento do aplicativo. “Fiquei um pouco em choque”, diz Larissa. “Você chama e não sabe quem vem. Mas depois de um tempo voltei a usar.”

Já Jéssica migrou de serviço. Evandro voltou aos táxis. “Foi a primeira e última vez. E falo mal para todo mundo.”

Especialistas concordam que a insegurança não é exclusiva de algum aplicativo e negam que o táxi seja um modo de transporte mais seguro.

“É até capaz que a empresa tenha perdido o controle. Mas isso a prefeitura também não faz”, diz Coriolano Camargo, presidente da Comissão de Direito Digital da OAB-SP.

José Aurélio Ramalho, presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, diz que os aplicativos oferecem mais segurança. “Não precisa andar com dinheiro, paga-se com cartão, o trajeto é monitorado por mim e por quem mais eu quiser compartilhar.”

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Para o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, a regulamentação do serviço precisa “levar em conta também a segurança da população”. O prefeito João Doria (PSDB) já disse que ordenou o aperto na fiscalização.

OUTRO LADO

Questionada sobre ocorrências com seus motoristas, a Uber informa que todos passam por “extensa checagem de antecedentes criminais”.

A companhia destaca como medida de segurança a ferramenta de compartilhamento em tempo real da rota da viagem. “Todas são rastreadas por GPS, e o usuário pode sempre compartilhar a rota.”

Líder no mercado em São Paulo, a Uber exemplifica como medida preventiva a exigência de que o usuário que optar pelo pagamento em dinheiro informe o CPF -para coibir chamados que visem o assalto a seus motoristas.

Já a Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo diz que “a atuação das polícias sempre leva em consideração a nova dinâmica adotada por criminosos que atuam por meio de aplicativos de transporte, atividade recente no país”.

Sobre os casos relatados à reportagem, a pasta informou que ambos seguem em investigação, exceto o de Larissa, que não quis dar seguimento. Já a Uber disse que não identificou nenhuma viagem nas circunstâncias relatadas por Evandro, vítima de sequestro-relâmpago.

Principais concorrentes da Uber, a Cabify e a 99 têm políticas semelhantes de segurança, com alguns diferenciais.

A 99 permite ao motorista desabilitar o meio de pagamento em dinheiro a qualquer momento. Já a Cabify faz reunião pessoal com os candidatos a motorista e exige exames toxicológicos. Em outros países, realiza exame para entender os valores e personalidade do motorista, diz Daniel Velazco-Bedoya, diretor-geral da empresa no Brasil.

A medida ainda não existe no país porque, de acordo com a companhia, não foi encontrada uma parceira provedora do exame.

A avaliação do motorista pelo usuário também é um mecanismo de controle da qualidade -os motoristas precisam ter média de 4,6 (de 1 a 5) para seguir na Uber, por exemplo. “Aqui as pessoas têm pena de avaliar mal”, diz Velazco-Bedoya. “A gente precisa que isso seja feito de maneira adequada, uma avaliação crítica. [Dizer] se o motorista tinha direção agressiva, se ele foi invasivo.”

*

Dicas para passageiros

Verifique se modelo, cor e placa do carro e foto do motorista batem com o informado no aplicativo.

Espere o motorista te chamar pelo nome (não o chame primeiro) para ver se é o carro certo.

Cheque se há mais de uma pessoa no veículo antes de entrar.

Em caso de mulheres, para escapar do assédio

Peça por motoristas mulheres, se houver esta opção.

Ao fazer o pedido, mande foto da tela com os dados do motorista para conhecidos.

Compartilhe a rota com amigos ou parentes.

Se perceber algo de errado, ligue ou finja estar ligando para alguém e avise onde está.

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Sobre Carlos Laia

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