“Tradição, Família, Propriedade”

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Como nasceu a idéia do nome

Seria interessante explicar como surgiu a expressão “Tradição, Família e Propriedade”.

Pelo ano de 1960, realizávamos uma reunião [1] na sede da Rua Aureliano Coutinho [2], quando em certo momento eu disse que a trilogia adequada para designar o nosso grupo seriam as palavras “Tradição, Família e Propriedade”.

Eu intuía que a negação desses três valores era o ponto terminal da civilização cristã do Ocidente e o início de uma ordem de coisas baseada no contrário. E que, portanto, a Tradição, a Família, a Propriedade deveriam ser o nosso título[3].

Lembro-me de ter dito também: “O nome perfeito de nosso Grupo deveria ser Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. É o modo de nós fazermos uma ação anticomunista não meramente negativista, mas afirmando três valores que, por uma erosão lenta, o comunismo quer derrubar para depois vencer” [4].

Os que estavam presentes aceitaram a sugestão com toda a naturalidade, com toda a alegria [5].

Fundada em 1960 pelo Professor Plínio Corrêa de liveira

O nome foi, portanto objeto de uma cuidadosa reflexão, de uma meticulosa atenção, para corresponder exatamente aos nossos ideais [6].

Três outras palavras que resolvêssemos colocar juntas não formariam necessariamente uma trilogia. Já Tradição, Família, Propriedade é uma trilogia de liames profundos, que constituem uma seqüencia* [7].

* Percebeu-o perfeitamente, mais de uma década depois, o conhecido autor belga de orientação francamente progressista, Max Delespesse, em livro com o significativo título Tradition, Famille, Propriété: Jésus et la triple contestation.

Pondera-o com acerto e precisão:

“Observadores superficiais poderiam surpreender-se diante da trilogia ‘tradição-família-propriedade’ como se se tratasse de um amálgama artificial. Na realidade, a junção destes três termos não se deveu ao acaso. […] ‘Tradição-família-propriedade’ é um bloco coerente que se aceita ou se rejeita, mas cujos elementos não podem ser separados” (Max Delespesse, Tradition, Famille, Propriété. Jésus et la triple contestation, Fleurus, Paris, 1972, pp. 7, 8).

2. Constituição da TFP em 1960 e quais os sócio-fundadores

Com base nessa trilogia, resolvemos fundar uma sociedade civil [8] e registrá-la [9] como organização juridicamente constituída [10], e que tivesse como corpo societário o núcleo de amigos que se tinha reunido em torno do Legionário*[11].

* A data oficial de fundação da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) é 26 de julho de 1960.

Tive a iniciativa de fundar a TFP, e fui eu quem lhe deu o nome e reuni os amigos que constituíram seu primeiro núcleo[12]. E os estatutos foram redigidos por mim com muito cuidado, com muita seriedade, portanto com muita autenticidade [13]O autor dos estatutos fui eu.

TFP 1960

Quis o título de “Presidente do Conselho Nacional” e não “Presidente da TFP”. E tinha “n” razões para querer isto e para o querer ainda hoje assim [14].

A TFP é a única associação que eu conheça que tem duas diretorias: o Conselho Nacional e a DAFN (Diretoria Administrativa e Financeira Nacional). São duas diretorias completas. O Conselho Nacional é presidido por mim, e cuida de toda a parte intelectual, de formação e de todas as atividades da TFP, exceto as econômicas. As econômicas são atribuição da Diretoria Administrativa e Financeira Nacional, a DAFN [15].

Pelos estatutos da TFP, o Conselho Nacional é o órgão deliberativo. E a TFP tem como sócios a mim, os membros do Conselho Nacional, os da DAFN e alguns membros da Ordem Imediata [16].

*   *   *

Como se formou este corpo jurídico eu já o disse, e está na história da TFP.

Até mais ou menos 1949, o grupo era constituído apenas pelos membros do posteriormente chamado grupo da Pará e por mim, que era o presidente por ser o segundo mais velho e por condescendência do Dr. José de Azeredo Santos, um ano mais velho do que eu.

Também os rapazes da Rua Martim Francisco, com o passar do tempo, tornaram-se elementos dirigentes.

Ajudou nisto o fato de que a diferença de idade entre nós do grupo da Pará e os do grupo da Martim Francisco, como é natural, foi aos poucos se adelgaçando. E então convencionou-se favorecer uma espécie de fusão entre os membros do grupo da Martim Francisco e os membros do grupo da Rua Pará, mantendo-se, entretanto, para estes últimos, dentro da nossa vida cotidiana, uma ordem de precedência.

Desta forma constituiu-se naturalmente a diretoria desse novo organismo.

E quando a TFP foi fundada no ano de 1960, muito naturalmente os membros do grupo da Pará e da Martim passaram a serem os sócios fundadores e ao mesmo tempo a diretoria, com uma meia dúzia de mais novos que também foram indicados para sócios. E esta ficou sendo juridicamente a TFP.

Os cooperadores, pelos estatutos, não pertencem à TFP* [17].

* Esses cooperadores, inicialmente chamados de militantes, eram os membros dos grupos do Alcácer e da Aureliano, ademais de numerosos jovens de todo o Brasil que foram aderindo aos ideais da TFP, com dedicação integral.

Mais tarde formaram-se ainda os correspondentes e esclarecedores, constituídos por famílias que, atuando em seus meios sociais próprios, apoiavam a entidade em toda medida de suas possibilidades.

Com o tempo, alargou-se também substancialmente o círculo de simpatizantes dos ideais da TFP por todo o País, o que favoreceu enormemente o êxito incomum das campanhas da entidade.

3. Uma utopia realizada

Leão de Pau Brasil na sede do Conselho Nacional da TFP

Depois de fundada a TFP, só algum tempo depois que ela começou a atuar, porque o Grupo era ainda pequeno. Era uma sociedade que existia mais no papel do que na realidade. Falava-se muito mais do “grupo de Catolicismo” do que da TFP[18]. A luta pública e a luta de Rua da TFP propriamente dita iniciaram-se mais tarde [19].

Se no tempo em que a TFP foi fundada alguém perguntasse: “É possível fundar uma sociedade com as características da TFP?”, a quase totalidade das pessoas responderia que seria impossível, que isso não nasce mais nos dias de hoje.

Aquilo que parecia uma utopia se realizou. E quando uma utopia se realiza isto se chama milagre [20].

Referências:

[1] SD 7/11/75.

[2] RR 6/3/ 85.

[3] SD 7/11/75.

[4] SD 14/7/73.

[5] SD 7/11/75.

[6] SD 26/7/69.

[7] CM 3/3/85.

[8] SD 26/7/69.

[9] SD 14/7/73.

[10] Entrevista à Rádio São Miguel de Uruguaiana, 21/6/90.

[11] SD 26/7/69.

[12] Entrevista ao Correio Braziliense (gravação), 23/1/91.

[13] SD 7/2/87.

[14] Palavrinha 4/1/81.

[15] SD 7/4/79.

[16] — A chamada Ordem Imediata — expressão que foi utilizada até o falecimento de Dr. Plinio — era constituída, como o nome indica, de pessoas imediatamente abaixo dos sócios fundadores e diretores, mas que tinham a vários títulos um papel de especial destaque, e mesmo de direção de setores, dentro do grupo de Catolicismo. Algumas dessas pessoas eram sócias, outras não.

[17] SD 7/9/74.

[18] SD 26/7/69.

[19] SD 16/6/73.

[20] RR 15/8/92.

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