Expansão dos ideais da TFP na América espanhola

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1. Argentina

Fundação da TFP argentina

Foi nesse período que começaram as viagens por outros países à procura de pessoas afins com o nosso ideário, sobretudo na América Latina, porque nós queríamos formar uma confederação mundial, queríamos agir no mundo inteiro [21].

Organizamos então uma ida de várias pessoas nossas à Argentina e fomos assim tomando contato com grupos católicos de lá [22].

A Argentina para mim foi uma revelação [23]. Era uma nação muito mais preservada, do ponto de vista religioso e do ponto de vista da prática dos Mandamentos, do que a nação brasileira [24].

Havia na Argentina daquele tempo, e deve ainda haver em alguma medida, um bloco de população seriamente católica, de alto a baixo nas várias classes sociais, compreendendo pessoas tanto da alta sociedade, quanto da média e das classes menos favorecidas. Sobretudo as senhoras eram assim, mas os homens também, e constituíam uma força enorme [25].

Vimos lá grande número de pessoas rezando nas igrejas, muito mais do que no Brasil. Igrejas lindas, sérias, imagens com fisionomias combativas, com uma dignidade, um espírito de cavalaria e de audácia que me agradaram [26].

O número de senhoras e de homens entrando e saindo para visitas rápidas ao Santíssimo era impressionante.

Era gente que estava fazendo negócios, que tinha o tempo tomado, mas que entrava um instante para saudar o Santíssimo. Outros demoravam mais. Homens de posição, de destaque, não tinham a menor dúvida de se afirmar publicamente católicos, sem respeito humano: passavam diante de uma igreja, tiravam o chapéu. Coisa que fazia gosto de ver [27].

Dei-me conta, então, de que a Argentina herdara da Espanha um teor de catolicidade único. E deduzi daí que provavelmente esta deveria ser também a herança da atuação da Espanha em todas as suas antigas colônias — hoje nações independentes na América Latina — numa dosagem de Fé católica muito maior do que eu poderia imaginar à primeira vista.

O resultado é que o nosso futuro em matéria de relações exteriores, durante muitos anos, se voltou para a América do Sul [28].

*   *   *

Conhecemos na Argentina uma direita, em cuja sombra viviam pessoas com uma vocação idêntica à nossa [29].

Foi numa dessas viagens à Argentina que encontramos um grupo que imprimia a revista Cruzada, extraordinariamente afim conosco, composto todo ele de jovens, filhos de pais pertencentes a essa direita [30].

TFP em campanha na Argentina

Indo à Argentina, tomei contato com esses rapazes, e fiquei uma longa temporada lá.

Esses contatos frutificaram e em certa ocasião, no ano de 1965, fiz um simpósio com esse grupo de jovens de Buenos Aires. Eles vieram a São Paulo para resolver algumas “de las mil y mil cuestiones” entre os dois grupos. Este simpósio correspondeu a esclarecer o seguinte problema: o que somos nós?

Nossa Senhora favoreceu esse simpósio, e no final das contas eles resolveram aderir integralmente aos nossos ideais e formar naquele país uma TFP autônoma, mas irmã da nossa. Nasceu assim a TFP Argentina.


Chile 


O Sr. Patricio Larrain Bustamante lê, no Club de la Unión de Santiago, o manifesto de fundação da TFP: nasce uma força jovem e vitoriosa a serviço do Chile contemporâneo

Também em viagem ao Chile conhecemos o grupo de Fiducia, pessoas jovens que publicavam uma revista do mesmo nome.

Com eles a aproximação foi muito mais fácil. Já nos primeiros contatos nos entendemos bem. Logo depois, vieram alguns deles ao Brasil, seguidos depois de outros. E assim começaram a vir em roldana, e nos entendíamos perfeitamente. Eles se transformarem em TFP chilena foi a coisa mais fácil, mais simples, mais desembaraçada que houve.

3. Uruguai

A partir do momento em que pudemos dizer que tínhamos grupos com os mesmos ideais na Argentina e no Chile, abriram-se as portas de outros lugares.

Na Argentina informaram-me da existência de pessoas com idéias semelhantes às nossas em Montevidéu, onde de fato encontrei um grupo de homens de boa situação social, aproximadamente da minha idade, e alguns até bem mais velhos do que eu.

O mais moço desse grupo convidou-me para almoçar em casa dele, onde vi brincar pelo salão alguns meninos, dois dos quais, mais tarde, formaram um grupo em Montevidéu.

4. Viagens por outros países latino-americanos

Concomitantemente, membros dos grupos da Pará e da Martim realizaram uma série de viagens apostólicas pelos outros países da América hispânica: Dr. Fernando Furquim de Almeida, Dr. Paulo Barros de Ulhôa Cintra, Dr. Sérgio Brotero Lefèvre, Dr. Fábio Xavier da Silveira, Dr. Paulo Corrêa de Brito Filho. Eles percorreram a América do Sul em todos os sentidos [31].

De cá, de lá e de acolá, em cada país, alguns punhados de jovens respondiam positivamente [32].

De maneira que o circuito interbrasileiro de expansão dos ideais da pré-TFP se enriqueceu com o bandeirismo dos componentes do grupo de Catolicismo, bandeirismo esse que passou a ser, além de nacional, também hispano-americano.

Foram dois circuitos de viagens, igualmente épicas, igualmente trabalhosas, igualmente dispendiosas, algumas delas frustradas. Mas daí veio todo o surto de grupos afins da América do Sul.

No início, como disse, eram os meus amigos da Pará e da Martim que palmilhavam de alto a baixo toda essa zona. Mais tarde também os do grupo do Alcácer e da Aureliano empreenderam viagens semelhantes [33].

Fonte: Minha Vida Pública

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