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Taxista devolve violino esquecido no táxi

“A gente renova a esperança na cidade”, diz maestro que teve violino esquecido em táxi devolvido por motorista

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O reencontro de dois velhos amigos que só se desgrudaram por cinco dias em mais de três décadas. Assim pode ser descrito a devolução do violino francês ao seu dono, o regente da Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro, Mateus Araújo, de 46 anos, pelo taxista Júlio César de Souza, de 47 anos, em cujo carro o instrumento foi esquecido na última quarta-feira, após uma corrida entre a Gávea, na Zona Sul, e o Centro do Rio. Desesperado, o maestro decidiu postar uma mensagem nas redes sociais. A publicação viralizou e, graças aos compartilhamentos, chegou até a filha do taxista, Ana Júlia, de 17 anos, que avisou o pai da postagem.

A devolução aconteceu na tarde desta segunda-feira, no restaurante onde o taxista é sócio, em Del Castilho, na Zona Norte do Rio. Após um abraço emocionado entre os dois, o músico retribuiu a atitude do motorista executando na calçada do estabelecimento trechos de clássicos da música popular brasileira como “Garota de Ipanema” e “Wave”, ambas de Tom Jobim, sendo a primeira em parceria com Vinicius de Moraes. O maestro disse ainda que faz questão de ter o taxista e sua família na plateia de um dos próximos concertos que regerá na Sala Cecília Mereiles ou no Teatro Municipal.

— Que bom que deu certo (as postagens na internet) e consegui recuperar meu violino. Já é tão difícil viver de música nesse Estado. A gente renova a esperança na cidade, com atitudes como a deste taxista. Faz crer que ainda existe muita gente boa — afirmou o músico, que também se dedica ao projeto Ação Social pela Música no Brasil, através do qual ensina a tocar crianças e adolescentes carentes de favelas como as do Complexo do Alemão e a do Morro dos Macacos, na Zona Norte do Rio.

Segundo o músico, o violino não tem valor para venda, uma vez que é um instrumento único, de autor, facilmente reconhecível no meio musical. Porém, representaria uma perda inestimável e dolorosa, pelo valor seu sentimental. Ele o ganhou da mãe aos 14 anos, quando foi incentivado por ela a abraçar a música. Desde então, ele e o violino jamais se separaram. Até a noite da última quarta-feira, quando esqueceu no banco traseiro do táxi de Julio o estojo que, além do violino, continha também um arco alemão, partituras, programas de concertos e alguns cartões de visita, nenhum com o seu contato.

O motorista contou que o passageiro estava distraído no celular, quando saiu do carrro, por volta das 21h. Pagou em dinheiro a corrida — a última feita pelo taxista naquela noite — , desembarcou na Rua das Marrecas, no Passeio, e foi embora. Somente no dia seguinte, quando foi limpar o carro que estava no estacionamento do restaurante, é que o taxista percebeu o instrumento esquecido no banco traseiro. Ele voltou no local onde deixou o maestro e após conversas com outros taxistas foi informado que perto dali tinha uma escola de música, a da UFRJ, onde não obteve nenhuma informação sobre o dono do objeto.

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Os números de telefones encontrados no estojo também não ajudaram muito, já que nenhum dos contatos conhecia o músico. Somente no domingo, pela manhã, quando a filha do taxista, que é estudante de Direito, viu a publicação na internet — que traziam os números dos telefones do maestro e de sua mulher — é que foi possível faze contato com ele e combinar a devolução do instrumento para esta segunda-feira.

— Ele chegou a me oferecer uma recompensa em dinheiro, que eu recusei, dizendo que quem me gratifica é Deus. Ele é quem comanda tudo. A gente tem que agir sempre com o pensamento de que o que aconteceu a outras pessoas também pode ocorrer conosco e, nesse caso, espero que hajam comigo da mesma forma. O instrumento é importante para o dono e para mim não teria nenhuma utilidade. Nem sei tocar violino — disse o motorista

Júlio César, que é sócio dos sogros no restaurante, comprou o táxi e a autonomia há cerca de três meses e só passou a rodar com o carro, um Cobalt. há um mês, depois de regularizar toda a documentação. O veículo comprado com suas economias ajuda a complementar a renda, desde que a crise fez o movimento cair cerca de 40%. Com isso, ele é comerciante das 10h às 16h e daí até o final da noite assume o volante do táxi, sempre de segunda a sexta-feira.

O violino foi o terceiro objeto esquecido no carro, nesse curto período de um mês. No mesmo dia que ele transportou o maestro, uma mulher havia esquecido um livro no táxi, após uma corrida entre o Centro e Larajeiras. Como o motorista demorou a sair do local, consertando uma lanterna interna, a passageira retornou a tempo de recuperar o objeto. O caso anterior ocorreu na sua primeira viagem como taxista. Na ocasião, uma passageira esqueceu um envelope com exames médicos, devolvido por ele ao laboratório que fez o atendimento à paciente.

— No restaurante também é comum clientes esquecerem objetos. Como a maioria é conhecida, faço questão de ligar avisando ou espero retornar para devolver. Mas tem muita gente que não volta para pegar — revelou, acrescentando que no escritório do estabelecimento há pelo menos 20 objetos, entre óculos, casacos e guarda-chuvas ainda à espera dos donos.

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Sobre Carlos Laia

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