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Táxi do Rioé patrimônio da cidade

Aplicativo para táxis desenvolvido pela prefeitura do Rio divide opiniões

A iniciativa da Prefeitura do Rio de criar uma plataforma de mobilidade para o serviço de táxis divide opiniões. Alguns taxistas, desgastados pela difícil concorrência com motoristas particulares que usam aplicativos, receberam a novidade como uma luz no fim do túnel. Outros profissionais, mais resistentes, temem que a plataforma de gestão municipal se torne mais uma fonte de arrecadação.

Anunciado pelo prefeito Mercelo Crivella nesta segunda-feira, o aplicativo Táxi.Rio entrará em teste no dia 1º de junho. Diferentemente de outros apps de mobilidade, o Táxi.Rio vai descontar dos taxistas cadastrados uma taxa simbólica de manutenção, permitindo um maior faturamento nas corridas. Em outras plataformas, essa cobrança fica entre 15% e 17%. Estima-se que no aplicativo da prefeitura a taxa fique entre 1% e 5%. Os testes vão durar dois meses.

— Qualquer iniciativa que venha para ajudar a gente é bem-vinda. Sou taxista há 23 anos e nunca vi uma situação tão crítica como a de hoje. Antes, eu pagava as parcelas da minha casa, do meu carro e todas as contas. Depois da chegada desses aplicativos, a conta não fecha mais. O valor cobrado é injusto e a quantidade de motoristas particulares rodando nas ruas é absurda — desabafa José Gomes Cruz Filho, 62 anos

Taxista há 32 anos, Jorge Lopes, de 62, prefere esperar a inauguração oficial da plataforma para nutrir esperanças de que o cenário vá melhorar.

— Eles vão lançar o aplicativo com uma taxa simbólica, mas quem garante que depois não vão aumentar a porcentagem? Com os aplicativos de hoje, a gente já perde quase 50% do valor da corrida — diz.

Um levantamento da administração municipal revelou que os taxistas do município perderam 53% da renda mensal por causa da disputa com outros motoristas. Durante o processo de desenvolvimento do Táxi.Rio, a Empresa Municipal de Informática (IplanRio) ouviu as opiniões de taxistas e do Sindicato de Taxistas do Município do Rio.

— É um aplicativo bom para o taxista e bom para o passageiro. Traz mutias vantagens. Vejo como um plus que a classe vai ter. E como é da prefeitura, temos uma segurança maior do que em relação a outros aplicativos que existem hoje no mercado — contemporiza Luis Antônio Barbosa, presidente do sindicato.

Marcos Aurélio critica reconhecimento simbólico
                            Marcos Aurélio critica reconhecimento simbólico Foto: Alexandre Cassiano

PATRIMÔNIO CULTURAL

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Na mesma ocasião em que falou sobre o lançamento do aplicativo, o prefeito Crivella anunciou que assinou um decreto para reconhecer o serviço de táxi comum, amarelo e azul, como patrimônio cultural da cidade. A novidade não foi recebida com entusiasmo pelos taxistas.

— Na fase ruim que estamos passando, reconhecimento simbólico não ajuda. Para mim, não significa nada — avalia Marcos Aurélio dos Santos Calassara, 45 anos.

Da mesma opinião partilha José Gomes:

— Acho que a gente merecia mais. A prefeitura exige muito de nós. Certidões negativas, carros novos, fiscalização constante da secretaria, taxas e seguro para terceiros. Então, também temos o direito de exigir dela. A prefeitura deveria fazer mais pelos taxistas — diz.

Aplic

Aplicativo Táxi.Rio
aplicativo Táxi.Rio Foto: Reprodução

ESPAÇO PARA TODOS

Além da promessa de cobrar uma taxa simbólica de administração, o aplicativo da prefeitura vai globalizar entre os táxis do Rio a possibilidade de pagamento diretamente pelo aplicativo de celular. O objetivo é aumentar a competitividade com outros aplicativos comerciais.

Questionada sobre a chegada do Táxi.Rio, a 99, startup de mobilidade cuja plataforma oferece serviços de táxi e de motoristas particulares, afirma que “há espaço para todos”. “A chegada de outros aplicativos no mercado é positiva para todos, passageiros e motoristas”, diz, em nota, acrescentando que “em relação ao novo aplicativo Taxi.Rio, a 99 aguarda a definição de como será sua operação,para poder fazer um comentário mais consistente”.

A Cabify afirmou que “dá as boas-vindas ao novo aplicativo Taxi.Rio”. “A empresa enxerga de maneira muito positiva o lançamento do novo aplicativo, visto que há espaço para todos nesse mercado, já que existe uma demanda forte regional, nacional e global de melhorias de mobilidade. Portanto, quanto mais empresas trabalhando por isso, melhor!”.

Já o Uber disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não irá se pronunciar já que não considera o serviço de táxis concorrente do serviço oferecido em seu aplicativo. A Easy também decidiu não se manifestar. A empresa Cabify não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.

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Sobre Carlos Laia

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