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Crise financeira atinge também movimento de taxistas no Rio

Com as pessoas sem dinheiro, filas de táxis parados são facilmente encontradas

A crise financeira do estado do Rio de Janeiro não está afetando apenas comerciantes, lojistas, empresários e servidores públicos. A categoria de taxistas também vem sofrendo com a situação econômica da população, e cada dia que passa fica mais fácil encontrar filas de táxis parados aguardando por passageiros.

Proporcionalmente, o Rio de Janeiro possui a maior frota de táxis do país com cerca de 33 mil “amarelinhos” rodando pela capital. Em conversa com o Jornal do Brasil, o taxista Luiz Marques, comentou sobre a situação que a categoria vem enfrentando, e listou os possíveis culpados para a falta de corridas para os motoristas. Segundo o motorista, houve queda de cerca de 30% no movimento após o decreto de calamidade pública nas contas do estado.

“Trabalho como taxista há 17 anos no Rio de Janeiro e está cada vez mais difícil. Acredito que essa situação não seja exclusiva do Rio. Apesar de acreditar que a classe nunca vai acabar, ela está fadada ao ostracismo. As pessoas estão pensando cada vez mais antes de pegar um táxi. Ninguém tem dinheiro para gastar. Tem muita gente desempregada. E tem muita gente que está há meses sem receber seus salários. A situação está difícil para todos. Acredito que tivemos uma queda de mais de 30% no movimento”, explicou Luiz.

Sem movimento, táxis formam filas nos pontos
Sem movimento, táxis formam filas nos pontos

O motorista lamentou a situação e explicou como funciona o rendimento de um taxista. Segundo ele, a grande maioria é obrigada a pagar a diária para o dono do carro, ou uma taxa para ficar no ponto, além de taxa também para o aplicativo para aqueles motoristas que optam em se cadastrar nesses serviços.

“Tem gente pensando duas vezes antes de sair para rodar com o carro, e por isso, muitos optaram por prestar serviço para esses aplicativos. Veja bem, para você tirar dinheiro com o táxi você precisa rodar o suficiente para pagar a diária do carro, a gasolina, além da manutenção do veículo. Existem dias que não consigo fazer nem 20 reais no meu bolso, pois tenho que pagar tudo isso e as pessoas não têm pedido táxi”, disse.

Além da crise financeira, o motorista lembrou também que o movimento também caiu após o surgimento dos aplicativos de carona paga como Uber e Cabify, mas frisou que não culpa essa nova categoria pela crise de movimento nos táxis. Ao contrário de muitos taxistas, Luiz enxergou a concorrência como uma motivação para melhorar a qualidade dos serviços oferecidos pelos “amarelinhos”.

“Não acho justo culpar apenas o surgimento dos aplicativos. Pelo contrário, acredito que os aplicativos surgiram como um alerta. Uma concorrência que faz com que os ‘amarelinhos’ melhorem os serviços que prestavam. Claro que após o Uber e o Cabify o movimento caiu, mas caiu ainda mais após a piora na situação financeira do estado. Não é só esses aplicativos, hoje em dia até mesmo apps de taxis estão oferecendo corridas com motoristas em carros particulares como é o caso do 99POP. Quem ganha sempre é o consumidor”, encerrou.

Sobre Carlos Laia

Comandada por Carlos Laia , A Voz Do Taxista tem por objetivo levar a categoria dos taxistas informação, levantar o debate dos assuntos importantes para o desenvolvimento profissional de toda categoria.

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