Easy volta às origens para impulsionar receita com táxi

Celso Doni/ValorMantecón, da Easy: anúncio tradicional em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte e em Porto Alegre e on-line em 90 cidades

A Easy – antiga Easy Taxi – lança hoje, depois de muito tempo, um novo esforço de marketing para buscar crescimento. A companhia está retomando suas origens e quer aproveitar o que classifica ser uma “carência” dos taxistas, devido ao avanço dos serviços de carros particulares.

A ofensiva conta com anúncios em mídias tradicionais (rádio, mobiliário urbano, metrô, entre outras) em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte e em Porto Alegre. A estratégia segue para o on-line, nas 90 cidades em que a companhia opera no país. Segundo Bruno Mantecón, que assumiu o comando da empresa no Brasil em dezembro, serão três meses intensos de campanha. “Depois, para o segundo semestre faremos coisas mais específicas”, disse.

A companhia não revela quanto está sendo investido na campanha. Mas os recursos fazem parte do aporte de R$ 500 milhões recebidos em janeiro pela Maxi Mobility, a holding criada em junho do ano passado depois que a Easy se juntou ao aplicativo de transporte espanhol Cabify. A rodada contou com a participação de investidores como a Rakuten Capital, do grupo japonês Rakuten. “Com o aporte, vamos voltar a investir em marketing e tecnologia”, diz Mantecón.

Criada em 2011, a Easy praticamente inaugurou a categoria de aplicativos de transporte no Brasil. Em um ousado plano de expansão internacional, ela chegou a ter escritórios em 40 países. Hoje, são nove. Desde 2014, com a chegada do Uber, o crescimento desacelerou.

Com os consumidores migrando de táxis para carros particulares, a queda no número de corridas foi de 56,8% para os aplicativos, entre 2014 e 2016, segundo estudo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Além disso, sem novos recursos para investir (os acionistas não se dispuseram a fazer novos aportes), a empresa chegou a negociar uma união com seu principal rival, a 99, uma operação que envolveria a empresa chinesa Baidu.

Mas o negócio não foi adiante por desacordo em relação aos valores, segundo apurou o Valor. Após o encerramento das conversas, a 99 abriu negociação com a também chinesa Didi e recebeu um aporte em 2017. No começo do ano, foi comprada por ela.

Para tentar competir com o Uber, a Easy chegou a lançar um serviço de carros particulares em 2016. Com a ampliação no modelo de negócios, a empresa, assim como a 99, tirou a palavra táxi de seu nome. Mas, no caso da Easy, a modalidade enfrentou dificuldades para crescer e ela abandonou os carros particulares em setembro. Apesar da correção de rota, Mantecón diz que não há intenção de recolocar a palavra táxi no nome da empresa.

Com as dificuldades do mercado em 2016 e no começo de 2017, a companhia não saiu do lugar. Os ventos só começaram a mudar depois da operação com a Cabify. O momento coincidiu com uma “retomada” no uso dos táxis. Muitas pessoas voltaram a usar táxi atraídas pelos descontos oferecidos pelos aplicativos, pela percepção de queda de qualidade nos carros particulares com o crescimento rápido na base de motoristas e por benefícios como o uso das faixas exclusivas para ônibus em cidades como São Paulo (que ajuda a acelerar os deslocamentos). “Crescemos 40% no primeiro trimestre”, disse Mantecón. Outro fator favorável à Easy é o descontentamento dos taxistas com a 99.

A reclamação, apurou o Valor em conversas com motoristas, é que eles passaram a receber menos atenção desde que a companhia começou a investir no serviço privado. Isso tem levado muitos a deixar o aplicativo, ou usar menos a 99 e mais a Easy.

Outros competidores hoje são a Wappa e a Vá de Taxi (da Porto Seguro). As prefeituras do Rio e de São Paulo também lançaram aplicativos, mas Mantecón vê dificuldades para que eles se tornem relevantes. “O investimento em tecnologia e em atendimento aos clientes é muito alto. Não dá para ser competitivo no modelo proposto”, diz.

De acordo com o executivo, Easy e Cabify têm operado de forma totalmente independente e não há plano de integração de marcas. “O alinhamento estratégico é que a Easy faz táxi e a Cabify carros privados”, disse. Em entrevista ao Valorem junho do ano passado, Juan de Antonio, fundador e então presidente do Cabify – hoje responsável pela Maxi Mobility -, disse que o Brasil já era o maior mercado para a companhia.

Também criado em 2011, o Cabify é um dos quatro aplicativos que lutam por um lugar ao sol no mercado global de aplicativos de transporte. A estratégia é concentrar-se na Espanha, em Portugal e na América Latina – enquanto Uber e Didi têm ambições globais e o Lyft ainda olha apenas para o mercado dos EUA.

Além do esforço de marketing, Mantecón diz que a Easy pretende trabalhar em outras duas frentes. Uma delas é na relação com os taxistas e na valorização da profissão. “O filho do taxista hoje não quer ser taxista.

Queremos mudar isso”, diz. A outra é no âmbito regulatório, propondo atualizações nas regras do serviço para permitir mais flexibilidade em termos de tarifa e aumentar o número de permissões emitidas pelas prefeituras.

Carlos Laia

Taxista desde 2001, criador do site A Voz Do Taxista e da web Rádio Tera Byte. Nosso objetivo é levar notícias e informações sobre o táxi de todo Brasil a toda categoria, ouvindo representantes, autoridades e principalmente o taxista. Não temos vinculo com nenhuma entidade ou partido político.

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