Estuprador preso em 1986 retorna ao táxi e faz nova vítima

"Viveu momentos de terror no carro: 'Tentei sair e ele não deixou'"

A matéria do Globo que reproduzimos abaixo poderá ser vista como prejudicial ao táxi, porem, ela serve para demonstrar como o sistema carece de pessoas comprometidas com a categoria.

O fato é lamentável, mas serve de alerta ao sistema de transporte de passageiros para que se modernize o cadastro e fiscalização dos profissionais para impedir acontecimentos como esse e tantos outros que mancha a classe e permitem o crescimento da concorrência.

No histórico criminal de Jaime de Oliveira, constam 14 anotações, 12 delas de natureza sexual

RIO – “Não sou bonito, mas também não sou o mais feio do mundo. Não sou irresistível, mas tenho bom papo. Não vou confessar uma coisa que não fiz. Sou inocente. Nunca estuprei ninguém. Mulher nenhuma cede à força”.

A resposta foi dada há 32 anos aos policiais civis, entre eles o delegado Elson Campelo, então diretor do Departamento de Investigações Especiais (DIE), pelo taxista Jaime de Oliveira Marques, de 28 anos, preso suspeito de estuprar dezenas de mulheres na cidade, a maioria na Zona Sul do Rio. Usava seu táxi para escolher suas vítimas. A captura, que mobilizou boa parte dos policiais civis da época, foi noticiada no dia 16 de julho de 1986.

Em julho de 1986,vítima reconhece o motorista de táxi Jaime de Oliveira Marques, na 17ª DP, como o homem que a violentou – Arquivo O Globo / Agência O Globo

‘Foram momentos de terror. Tentei sair do táxi, mas ele não deixou. Fiquei em pânico’

Franzino, 1,59m de altura, Jaime de Oliveira Marques, agora com 60 anos, voltou ao noticiário esta semana. Na última quarta-feira, ele foi preso pelos policiais civis da 10ª DP (Botafogo), acusado de sequestro para fins libidinosos.

A investigação que o levou à prisão durou três meses. Em maio, novamente usando um táxi, ele impediu a gerente X, de 29 anos, de deixar seu veículo numa corrida que começou na Rua Voluntários da Pátria e terminou no Shopping Rio Sul, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Como há 32 anos, o taxista negou as acusações.

Jaime de Oliveira Marques, conhecido como ‘Maníaco do Táxi’, foi preso na última quinta-feira em Botafogo – Reprodução / Agência O Globo

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Com a vítima aterrorizada no banco de trás do carro, Jaime botou o pênis para fora e começou a se masturbar, enquanto falava palavras de baixo calão, que constam no depoimento da vítima.

O delegado Paulo Castelo Branco, responsável pela investigação, revelou que, antes de chegar até Jaime, conseguiu reunir um conjunto de provas para pedir e conseguir sua prisão preventiva. Ele agora espera que outras vítimas do “Maníaco do Táxi”, como está sendo chamado, apareçam.

— Foram três meses procurando o taxista em antigos endereços, em ruas do Rio e em pontos de táxi. Até que ele veio até nós, na delegacia, e acabou preso. Não tenho dúvidas em dizer que trata-se de um maníaco. Um psicopata que obedece ao próprio instinto. Uma pessoa sem controle — disse o delegado.

No histórico criminal de Jaime de Oliveira constam 14 anotações criminais, 12 delas de natureza sexual. Preso em 1986, foi reconhecido por várias vítimas e mantido em cárcere. Em 1998, foi condenado e permaneceu na prisão por 16 anos até 2014, quando ganhou liberdade condicional e voltou às ruas.

— Eu não tenho como afirmar, mas acredito que não fui a única vítima. Que outras mulheres foram atacadas por ele. Por isso procurei os policiais para fazer a denúncia. Quem sabe agora não aparecem outras vítimas — afirmou a gerente X.

Dados obtidos nas estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP) da Secretaria de Segurança do Rio, mostram que os registros de estupros aumentaram cerca de 12% nos primeiros sete meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2017, entre janeiro e julho, foram registrados 2.701 casos. Já este ano, o número saltou para 3.045. Já os registros de atos obscenos, importunação ofensiva ao pudor e assédio sexual, segundo levantamento do Dossiê Mulher preparado pelo ISP, passaram de 984 em 2016 para 914 em 2017.

Segundo o ISP, em relação aos dados de 2017, o maior percentual de mulheres vítimas destes delitos (54,5%) era branca, enquanto 31,1% eram pardas, 11,4% eram pretas e para 3,1% a classificação foi outra ou não informada. Já em relação à idade das vítimas, as jovens figuraram entre as principais vítimas: 76,9% (703) estavam concentradas nas faixas etárias de 0 a 34 anos de idade.

Cerca de metade desses delitos registrados em 2017, 50,7%, aconteceu em via pública ou locais abertos ao público, conforme se constatou: residência (24,3%); via pública (23,0%); interior de transporte coletivo, alternativo ou terminais de embarque (14,3%); estabelecimento comercial, bar, restaurante, boate ou casa noturna (13,4%); outros locais (21,4%); e não informado (3,5%).

Já sobre os acusados, desconhecidos figuraram no maior percentual: 54,3% não possuíam relação com as vítimas, enquanto 10,3% eram amigos, vizinhos ou conhecidos; e 9,8% tinham relações de ensino ou trabalho com as vítimas. Já em relação à distribuição geográfica, 44,7% ocorreram na capital; 31,3% no interior; 13,2% na Baixada Fluminense e 10,7% na Grande Niterói.

Em 1986, quando a imprensa deu grande grande destaque à prisão de Jaime de Oliveira, uma outra notícia ganhou espaço no notíciário: a inauguração, pelo então governador Leonel Brizola, da primeira delegacia do estado especializada em atendimento exclusivo de mulheres. Brizola não foi à cerimônia, mas marcaram presença o vice-governador Darcy Ribeiro e o secretário de Polícia Civil, Nilo Batista. A delegada Marly Preston, primeira titular, assumiu com apenas 14 policiais (todas mulheres) e nenhum veículo para trabalhar. E foi saudada por Darcy:

— Dona Marly: assuma, com orgulho, essa delegacia certa que está representando um projeto pioneiro — disse o então vice-governador.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/vitima-do-maniaco-do-taxi-conta-que-viveu-momentos-de-terror-no-carro-tentei-sair-ele-nao-deixou-22985830#ixzz5OXfSNlI3
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