Quase 700 taxistas de Porto Alegre foram excluídos do serviço por antecedentes criminais desde 2016

De março de 2016 até os primeiros dias de junho deste ano, 697 taxistas de Porto Alegre foram impedidos de renovar a licença para trabalhar devido a antecedentes criminais. De acordo com a Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC), foram 32 este ano, 140 em 2017 e 525 em 2016.
Para o órgão, a retirada desses motoristas tem impactado diretamente na melhoria do serviço. Os dados mostram que as reclamações recebidas pelo telefone disponibilizado para a população diminuíram consideravelmente.
Foram 518 neste ano, contra 1.977em 2017 e 2.702 em 2016. O auge das queixas contra o serviço nos últimos anos ocorreu em 2013: 4.058 reclamações.

O maior rigor nos cadastros dos taxistas foi adotado em janeiro de 2016, após uma série de episódios violentos envolvendo taxistas. Em um dos casos, o vendedor ambulante Geovani Pereira de Melo, 35 anos, perseguido depois de discutir com um taxista e, encurralado em um beco do bairro Santa Tereza, na Zona Sul, foi assassinado.

Dede então, os taxistas não podem ter antecedentes de crimes contra a vida, contra a administração, dignidade sexual, hediondos, de roubo, furto, estelionato, receptação, formação de quadrilha, sequestro, extorsão e tráfico de drogas. Recentemente, também foram incluídos na lista antecedentes por delitos previstos na Maria da Penha, lesões corporais e comercialização de armas de fogo e munição.

— Somando o exame toxicológico e o sistema de biometria que pretendemos adotar, o serviço vai ficar ainda mais qualificado. Apenas bons motoristas, sem envolvimento com qualquer tipo de crime, estarão prestando o serviço. Certamente, a população está sendo melhor atendida e isso só tende a melhorar — afirma o  diretor de Trânsito da EPTC, Fábio Berwanger.

O impedimento aos maus profissionais é bem visto pela categoria, que passou a enfrentar nos últimos anos a concorrência com aplicativos de passageiros.

— No dia a dia, a gente cobra de muitos colegas uma postura mais correta e responsável. A retirada dos maus profissionais é ótima. Começa a acabar com aquela imagem de que todo taxista é ficha suja. Todo mundo que é correto tem que comemorar — avalia o taxista Lisandro Zwiernik, que trabalha no setor desde 2012.

Porto Alegre tem 10,4 mil motoristas de táxis. No começo do mês, o prefeito Nelson Marchezan sancionou a nova Lei Geral dos Táxis. Entre outros itens, a legislação prevê exames toxicológicos, biometria para liberar o taxímetro a cada corrida, pagamento por cartões de crédito e débito e adoção de câmeras no interior dos veículos com transmissão em tempo real.

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