Uber pede 15 dias para explicar vazamento de dados de 196 mil brasileiros

Ao Ministério Público, aplicativo de transporte disse ‘que é complexo obter essas informações’. Em 2017, Uber admitiu vazamento de dados de 57 milhões de usuários no mundo, parte deles no Brasil.

Público do Distrito Federal pediu esclarecimentos à Uber sobre o vazamento de dados pessoais de usuários brasileiros, após a empresa de transporte executivo ter revelado, em novembro do ano passado, que as informações de 57 milhões de clientes e motoristas de todo o mundo tinham sido roubadas.

Ao órgão, o aplicativo pediu um prazo de 15 dias para apresentar as explicações “diante da complexidade de obter os dados”. No site da Uber, consta a informação de que a violação de dados teria afetado cerca de 196 mil usuários do Brasil. A empresa, no entanto, afirma que o número ainda “não é exato e nem definitivo”.

Questionada sobre o pedido do MP, a Uber afirmou em nota ao G1 que “já recebeu o ofício do MPDFT solicitando esclarecimentos e responderá fornecendo todas as informações necessárias”.

Quem investiga

O documento do Ministério Público foi redigido pela Comissão de Proteção dos Dados Pessoais e divulgado na última sexta-feira (2). Para o coordenador da comissão, Frederico Meinberg, a atuação foi necessária “diante da gravidade dos fatos. Nos Estados Unidos e em países da Europa foram abertas investigações contra a Uber, mas na América Latina, não”.

Meinberg disse também que, caso a empresa confirme a exposição de informações de motoristas e de clientes do Brasil, “deverá descrever em detalhes o caso, o total de pessoas afetadas, as localidades e os tipos de dados pessoais que foram comprometidos”. O promotor de Justiça também quer saber se alguma investigação interna foi realizada e se já existem conclusões.

A comissão liderada por Frederico Meinberg é a primeira iniciativa brasileira que trata exclusivamente da proteção dos dados pessoais. Criada em novembro de 2017, tem como atribuições promover o conhecimento das normas e das políticas públicas sobre proteção de dados pessoais e medidas de segurança.

Nome, e-mail, telefone…

Apesar do vazamento, a empresa afirmou que “não há qualquer indício de invasão à sua estrutura tecnológica”. A Netshoes indicou que teve o apoio de uma empresa especializada em segurança digital para fazer a apuração interna.

A principal recomendação é de que a empresa informe aos clientes afetados que os dados pessoais foram comprometidos. O MP pede que se faça isso por meio de ligação telefônica ou correspondência com aviso de recebimento. Além disso, a Netshoes não deverá fazer qualquer tipo de pagamento ao suposto autor do incidente de segurança.

Apesar de não terem sido reveladas informações como cartão de crédito ou senhas, o incidente de segurança comprometeu dados pessoais como nome, CPF, e-mail, data de nascimento e histórico de compras. Foram afetados centenas de servidores públicos politicamente expostos – havia endereços registrados da Presidência da República, do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, por exemplo.

Carlos Laia

Taxista desde 2001, criador do site A Voz Do Taxista e da web Rádio Tera Byte. Nosso objetivo é levar notícias e informações sobre o táxi de todo Brasil a toda categoria, ouvindo representantes, autoridades e principalmente o taxista. Não temos vinculo com nenhuma entidade ou partido político.

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