O taxista deve votar em taxista? Depende!

Com a chegada das eleições 2018, estamos conhecendo os candidatos taxistas. Um candidato que ficou em silêncio merece nosso voto, e o candidato alinhado com a velha política que nada fez para mudar a nosso história merece nosso voto.

É importante que todos grupo da sociedade seja representado no legislativo, para que seus interesses sejam defendidos e conquistas preservadas, mas, diante da realidade em que se encontra hoje os taxistas, esperar que deputados, seja federal ou estadual, possa mudar a situação é um engano.

Com a chegada das eleições estamos conhecendo os candidatos taxistas que se apresentam a categoria com o discurso de representa-los na Assembléia Legislativa e Câmara Federal, mas se nada fizeram até agora por que faram depois de eleitos?

A posição natural dos candidatos seria de se posicionar contra o atual modelo de gestão da crise pela qual a categoria passa, conduzida politicamente pelas entidades.

Quando se esgotou todos os argumentos técnicos e jurídicos, o caminho natural seria a convocação da categoria para se manifestarem contra o executivo que fez promessas de por fim a concorrência desleal dos motoristas de carros particulares que praticam ilegalmente a profissão de taxistas com a promoção dos aplicativos e nada fizeram.

Em São Paulo, o mais rico estado brasileiro, temos dois candidatos a deputado estadual que se destacam.

 

Talvez o silêncio do Salomão explique a falta de expressão na enquete

Salomão Pereira já foi suplente de vereador, exerceu por dois anos o mandato, até aprovou uma importante lei que obriga os aplicativos a terem somente o taxista como prestador de serviço, mas que não é cumprida pela maioria dos aplicativos. Passado um ano e meio do seu mandato na Câmara dos Vereadores permaneceu recluso, não se viu uma atitude sua no combate ao exercício ilegal da profissão que leva a maioria dos taxistas a uma terrível situação de penúria. Não lemos na Folha do Motorista, jornal de sua propriedade, o combate e a denúncia da  ilegalidade promovida pelo aplicativos Uber e 99.

 

O outro candidato que merece atenção dos taxistas é o Alessandro Ruiz Martinez, Fatioli, taxista da cooperativa Use Táxi.

Conhecido como Fatioli entre os taxistas, sua primeira aparição pública foi na segunda manifestação diante da Câmara Municipal pela proibição da Uber.

No início tudo indicava que com ele nasceria a oposição que a categoria tanto precisa para dar início às mudanças no sindicato e no combate aos clandestinos. Passou por vários grupos como Unidos do Pacaembu, foi diretor do polêmico do CRT criado pelo presidente do SIMTETAXI e por fim se alinhou com as principais figuras que estão a frente do táxi da capital paulista, trabalhou para desarticular várias tentativas de manifestação de grupos de taxistas.

Entre os vários candidatos que conheceremos no decorrer da campanha, nenhum teve a visao da necessidade de organizar a categoria, de fazer uma oposição construtiva ao sindicato e ao executivo que tem baixado a cabeça para os aplicativos 99 e Uber. O taxista terá que decidir entre o candidato que ficou calado ou no candidato alinhado, conformado e conivente com toda situação que se arrasta por quase quatro anos.

A enquete feita pelo diretor suplente do SINDITAXI, Wagner Caetano, através do Google Docs, trouxe uma amostra do que pensa o taxista sobre a situação atual do táxi e seus representantes. Muito mais de indicar a intenção de voto, a enquete coloca em cheque a política que vem sendo conduzida pelos sindicatos e pelo vereador eleito pela categoria.

Perguntado o que acham das ações políticas em prol das demandas da categoria, 73,2% responderam que “são muito menos do que o esperado”, 22% acham “menos que o esperado”. Mais que apontar a intenção de voto, a enquete mostra uma realidade que os dois principais candidatos não vem, nem os sindicatos.

O taxista reprova a liderança de São Paulo

Qual é essa realidade!

A concorrência desleal com certeza seria a primeira resposta, mas, o caminho para por fim a ela passa necessariamente pela organização da categoria. Essa organização teria que começar pela organização de uma base de taxistas com a visão posta no amanhã e os desafios que as novas tecnologias estão trazendo.

O caminho para Fatioli ser o nome dos taxistas seria para reunir em torno de si uma base visando as eleições no Sinditaxi em 2020 e não ao legislativo, onde quase nada poderá fazer pelos taxistas, por se tratar de uma casa de fazer lei.

Já Salomão Pereira não tem espaço para preitear nenhum destaque como líder dos taxistas, sua visão da categoria não é diferente da visão do Natalício Bezerra, ou melhor, tem a mesma falta de visão.

O combate a concorrência ilegal dos carros particulares passa por uma política de reconstrução das bases da categoria, o candidato que trazer essa proposta está no rumo certo.

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