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Pelo retrovisor: taxista registra Porto Alegre pelo espelho do carro

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Histórias de passageiros de Mauro Castro ganharam páginas de livros.
Ao fazer foto para capa, taxista passou a registrar cidade por novo ângulo.

 Fonte: G1

Mauro retrata Porto Alegre em um blog e no Facebook. Já no Instagram, a cidade é vista por um ângulo diferente: pelo espelho retrovisor esquerdo do táxi. Em cerca de dois anos, mais de 1,5 mil fotos já foram postadas pelo ‘taxista-escritor-fotógrafo’ na rede.

Na Semana de Porto Alegre, o G1 embarcou no táxi de Mauro para ouvir algumas dessas histórias e saber da relação do motorista com a capital, que no domingo (26) completa 245 anos (assista no vídeo).

O taxista revela que tudo começou por acaso dentro do veículo de cor laranja. Primeiro, veio o convite para escrever. Passageiro frequente, um dos primeiros editores do jornal Diário Gaúcho percebeu a veia literária de Mauro e perguntou se ele aceitaria manter uma coluna semanal no periódico. Foram 12 anos publicando crônicas do cotidiano de pessoas transportadas.

A histórias de 30 anos realizando corridas se acumularam nas páginas de jornais e, para que não se perdessem, foram parar em livros. “E estou preparando o quarto volume”, emenda Mauro ao falar das publicações, que ganharam o título de ‘Taxitramas – Diários de um Taxista’.

Laçador enquadrado no retrovisor levou Mauro a fotografar cidade pelo espelho (Foto: Reprodução/Instagram)
Laçador enquadrado no retrovisor levou Mauro a fotografar cidade pelo espelho (Foto: Reprodução/Instagram)

Início no Instagram
No dia em que foi fazer a foto para ilustrar a capa do primeiro livro, Mauro estacionou o táxi em frente à estátua do Laçador, cartão-postal de Porto Alegre situado na entrada da cidade. Ao entrar no veículo para ir embora, fechou a porta e notou que, no retrovisor esquerdo, estava a estátua de metal, que representa o gaúcho pilchado. De pronto, fez um clique do enquadramento.

“Mostrei para a minha filha e disse que iria postar no Facebook. Ela disse ‘não, cria um Instagram, foto é Instagram’. Aí, surgiu a ideia. A partir dessa foto do Laçador eu comecei a fotografar a cidade. As pessoas acharam legal, teve um retorno e hoje em dia eu fotografo a cidade pelo retrovisor do táxi”, conta Mauro, que novamente inaugurou um capítulo de sua vida por acaso.

Veja galeria de fotos clicadas por Mauro pelo retrovisor do táxi

Mauro diz que gosta de fotografar lugares e pessoas que não aparecem nos cartões-postais da cidade. Embora muitos cliques do taxista sejam de pontos clássicos, ele conta que busca fugir dos clichês porto-alegrenses.

“Gosto da periferia, onde já fiz fotos incríveis. Tu pega situações legais. É também a parte menos conhecida da cidade até para quem mora em Porto Alegre”, argumenta. Carroceiros, garis, artistas de rua são alguns dos personagens que dividem espaço com grafites, arquitetura e fotos de chuva na rede social.

Ponto de Mauro fica na esquina da Rua Saldanha Marinho com a Avenida Getúlio Vargas (Foto: Igor Grossmann/G1)

Conexão entre universos
Mauro, que tem 54 anos, revela que há 30 trabalha com desenho publicitário. O pai já era taxista e, para ganhar um dinheiro extra, ele começou a rodar atrás de passageiros. Aos poucos, foi deixando a antiga profissão de lado para se tornar dono do próprio negócio.

“Essa é a ideia de dirigir um táxi. Não ter patrão, trabalhar por conta e ser independente”, orgulha-se. “Nesses 30 anos, já morreu uma pessoa no meu táxi e já nasceu uma pessoa no meu táxi. Algumas perseguições, no estilo ‘siga aquele carro’, e algumas confusões em motéis”, enumera.

O taxista diz que sua ocupação permite conhecer universos humanos completamente diferentes. Das histórias que ouve dos personagens, nascem as crônicas publicadas. “É um material literário incrível”, resume.

Corrida o fez conhecer esposa
Como [quase] tudo na vida de Mauro acontece por acaso e por causa do táxi, o primeiro contato com a esposa não foi diferente.

Era 1986 e ele aguardava o próximo passageiro na saída do carnaval da Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico da capital. Quando um integrante de uma escola de samba, fantasiado de soldado romano, foi atravessar a rua, uma motocicleta o atropelou.

Eu conheci a minha mulher, literalmente, em uma corrida de táxi”
Mauro Castro, taxista

“Fratura exposta. Naquela época não havia Samu, era o táxi que fazia o socorro. Botaram ele dentro do carro e toquei pro hospital de pronto-socorro. Lá, botei um pano sujo do carro na fratura para estancar o sangue. Aí, a enfermeira me xingou porque eu carreguei o cara com a perna quebrada e com um pano sujo enrolado”, relembra.

Mauro discutiu com a enfermeira. “E o cara lá: ‘pô, tô com a perna quebrada aqui e vocês estão brigando?!’’, se diverte ao contar. O folião, então, foi receber atendimento médico enquanto o taxista registrava a ocorrência no posto da polícia dentro do HPS.

“Depois, a enfermeira veio me pedir desculpas. Convidei ela pra ir tomar um café. Passados 30 anos, a gente está junto ainda. E brigando, os dois”, fala, às gargalhadas.

“Eu conheci a minha mulher, literalmente, em uma corrida de táxi”, finaliza.

Sobre Carlos Laia

Comandada por Carlos Laia , A Voz Do Taxista tem por objetivo levar a categoria dos taxistas informação, levantar o debate dos assuntos importantes para o desenvolvimento profissional de toda categoria.

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