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Taxistas: Diagnóstico de uma categoria sem rumo, parte II.

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É difícil acreditar nos políticos brasileiros, é difícil acreditar na política brasileira. 

Uber
Taxistas diante da Câmara Municipal – SP

Os taxistas são uma categoria de quarenta mil somente na cidade de São Paulo, uma força que se canalizada na direção certa pode eleger vereadores, deputados e influenciar na eleição do prefeito da cidade. Essa afirmação pode parecer absurda para alguns, porém se multiplicarmos os quarenta mil taxistas por três pessoas do seu convívio, isso será possível! Há uma dificuldade para que isso seja uma realidade – sei disso, o taxista é um espelho da sociedade brasileira, deixa tudo para que os outros resolvam até sentir no bolso.

Para a categoria ser uma força formadora de opinião é preciso um trabalho de conscientização política para que ele seja realmente tenha opinião e assim atue no seu meio. A eleição municipal deu prova do quanto isso está longe de acontecer, o motivo é a falta de comando das entidades sindicais, Cooperativas e Associações que congregam os taxistas.

 

Presidente do SINDITAXI SP Natalício Bezerra

O presidente do SINDITAXI, Natalício Bezerra, sempre que perguntado dizia que a entidade não apoiaria nenhum candidato a vereador, porém sempre esteve no palanque com o candidato a reeleição Adilson Amadeu. O Vereador foi reeleito para seu quinto mandato e somente se reelegeu graças aos cerca de cinquenta mil votos dos taxistas e seus familiares.

Os taxistas declararam o seu voto ao Vereador e muitos trouxeram o voto dos familiares, consequência foi sua reeleição. Essa reeleição não aconteceria com os quinze mil votos que obteve de sua antiga base. O próprio presidente do SINDITAXI declarou recentemente em reunião no sindicato que o Adilson Amadeu “cometeu excessos na sua defesa da categoria”, porém não orientou a categoria sobre o voto e nem exigiu propostas para o novo mandato do Vereador.

Assim como muitos brasileiros, eu não acredito na maioria dos políticos e na política brasileira

Carlos Laia discurso no Pacaembue

 

Na última eleição fui candidato a vereador e pude conviver de perto com tudo que acontece nos bastidores de uma campanha, o jogo político, as barganhas e o vale tudo pelo cargo público que deveria ser para servir a população, porém a realidade é que os políticos pensam por último na população. Recebi dois convites para desistir de minha candidatura em troca de cargo para não tirar votos de medalhões, ouvi de um experiente consultor político que somente é eleito quem os partidos querem que seja eleito, que algum grupo quer ou aquele candidato que tem muito dinheiro para gastar na campanha. Esse dinheiro divide-se em duas frentes: Gente para distribuir os “santinhos” e para promover encontros nas comunidades que são assistidas pelos candidatos sem nunca resolver os problemas definitivamente.

Os votos das comunidades carentes são os que fazem a diferença, são os votos da massa que vai realmente eleger o candidato, os candidatos fazem um assistencialismo ao longo de meses e até anos junto a comunidade, sempre dando o peixe e nunca a vara. No caso dos taxistas, por quase dois anos Adilson Amadeu fez a política do “pão e circo”.

“A política do Pão e circo (panem et circenses, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Esta frase tem origem na Sátira X do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento. A política do pão e circo não é muito diferente em nossos dias, não podemos culpar somente os políticos, eles aproveitam – assim como no império romana – da falta de interesse do povo pela política. O povo deixa-se enganar por políticos que apenas faz o jogo de agradar seu eleitorado, eventos, discursos inflamados e uma atuação circense levando ao delírio os mais exaltados”.  Fonte: Infoescola

Sua atuação como defensor dos taxistas na câmara municipal somente conseguiu aprovar uma lei que proibiu o transporte remunerado feitos por carros particulares, o que já era proibido pela lei federal 12.468/2011. O mérito do seu projeto de lei foi apenas articular a categoria que estava desmobilizada e apática diante do avanço do Uber. O erro foi não ter uma política definida com ações que visassem o crescimento do profissional do taxista junto com a articulação política para conquistar apoio no legislativo e principalmente não ir para o confronto com o poder executivo. De concreto nada aconteceu da lei 16.279, a Uber continuou atuando livremente e graças aos excessos de Adilson Amadeu, a empresa americana conseguiu uma liminar que proibiu que fosse fiscalizada. Mais tarde a própria lei foi considerado inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Após o rompimento com o SIMTETAXI a principal atuação do vereador foi promover espetáculos para os taxistas que os deixavam ainda mais pilhados e confrontos com os motoristas da Uber e demonstrou seu descontrole para o diálogo necessário diante da situação que a categoria ainda atravessa. Enquanto isso a categoria foi colecionando derrotas, imposta pelo executivo e pelo judiciário.

O que realmente o Vereador conquistou para a categoria?

Nas audiências públicas na Câmara Municipal, como foi amplamente divulgados pela imprensa, a atuação vereador somente conseguiu deixar a população contra os taxistas.

Ter ao seu lado taxistas, que pareciam ter visão da nossa realidade, deveria ser para ajudá-lo a entender realmente as necessidades da classe. Não se fala em medidas como requalificação, melhorias no DTP et. Os taxistas que desde a campanha são assessores remunerados do vereador nada tem contribuído para que o rumo da longa luta – que estamos perdendo – travada contra – agora não somente a Uber – já que a 99 e Easy também se uberizaram, tenha um fim positivo para nós taxistas que estamos nas ruas todos os dias defendendo o nosso pão de cada dia.

Amadeu, o temperamental –  Revista Época

“Na busca por substituir Paulo Maluf na preferência entre os taxistas, Russomanno conta com o vereador Adilson Amadeu (PTB), que aparece a seu lado no vídeo. Amadeu é conhecido por seu estilo barulhento, de pavio curto e, em alguns momentos, truculento”.

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“Em abril deste ano, durante uma audiência na Câmara dos Vereadores, chegou a ameaçar um executivo do Uber que participava de uma audiência. “Quero te pegar, eu vou te pegar”, afirmou, bastante exaltado, num vídeo divulgado pela rádio Bandeirantes. Depois, ele ainda xingou o executivo de “filho da p…”.

“Um dos alvos mais recentes de Amadeu é o prefeito Fernando Haddad. Curiosamente, o vereador chamou a atenção nas últimas eleições justamente pelo apoio inusitado que deu ao então candidato petista no segundo turno. Contrariado com a decisão de seu partido, o PTB, em apoiar José Serra (PSDB), Amadeu vestiu um terno vermelho, as cores do PT, e declarou o voto em Fernando Haddad”.

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O vereador Adilson Amadeu ao comunicar que votaria em Haddad, em 2012 (Foto: Divulgação)

“Passados pouco mais de três anos, a opinião de Amadeu em relação ao prefeito de São Paulo parece ter mudado. No início do ano, durante mais uma das confusões envolvendo taxistas e motoristas do Uber na cidade de São Paulo, Amadeu gravou um vídeo com um recado ao petista, que já anunciava planos de criar um decreto para regulamentar o aplicativo. “Senhor prefeito, o senhor é um doido, um doente mental se fizer isso”, disse, complementando com ameaças”.

“O senhor não sabe com o que o senhor está mexendo. Estou dando um recado direto e reto para o senhor prefeito, para o senhor secretário de Transporte. Os senhores estão vendidos, os senhores querem confusão em São Paulo.”

“Audiência sobre Uber na Câmara acaba em tumulto”

Audiência em SP sobre lei que pode regularizar Uber tem confusão
Tumulto começou após discussão entre vereador Adilson Amadeu e jovem.
Grupo também discutiu com representante da Uber, presenta na sessão.
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O noticiário está repleto de notícias comprovando o descontrole e falta de objetivo da conduta do Vereador Adilson Amadeu a frente dos taxistas, atuação delegada a ele extraoficialmente pela falta de credibilidade do sindicato dos taxistas autônomos de São Paulo.

“A terceira audiência pública promovida pela Câmara Municipal, na quarta-feira (20), para debater aplicativos de caronas na capital, como o Uber, terminou em confusão e por pouco não teve pancadaria, inclusive, com envolvimento do vereador Adilson Amadeu” (PTB) portalweb@diariosp.com.br

“Entre 2007 e 2008, o vereador de São Paulo Adilson Amadeu (PTB) foi relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigava a sonegação de impostos municipais por parte das casas de jogos em São Paulo e que ficou conhecida como CPI dos Bingos”.

“Na época, a participação do vereador na CPI foi questionada porque Rodrigo Xisto, seu filho, era sócio de empresários ligados a bingos. Maria Della Grocci e Andrea Galvez eram sócias do filho do vereador nas churrascarias Bufalo Grill, da marginal Pinheiros e da Penha, e também eram proprietárias de bingos que doaram dinheiro a funcionários da prefeitura para realização de festas na mesma época em que as empresas eram fiscalizadas”. “O caso acabou com a exoneração do funcionário público Wanderlei Araújo, da subprefeitura da Vila Mariana”.

“Adilson Amadeu não se afastou da CPI dos Bingos, apesar da relação próxima com os empresários investigados”. Portal R7

Adilson Amadeu não conseguiu o que realmente importava na luta contra a Uber, congregar os vereadores para uma regulamentação favorável aos taxistas.

Essa declaração do Vereador Nelo Rodolfo deixa claro isso: “O prefeito, então, que faça por decreto e tire esse inferno da Câmara”, disse Nelo Rodolfo (PMDB), durante a reunião de líderes de partido nesta terça-feira (3). Representante de interesses dos taxistas, Adilson Amadeu (PTB), apresentou um requerimento com assinaturas de líderes de oito partidos (PSDB, PTB, PV, PR, DEM, PRB, PSB e PP) para retirar o PL da pauta” Valor Econômico

Vereador ataca o Prefeito e complica o diálogo.

“Autor da lei que proíbe o Uber em São Paulo, o vereador Adilson Amadeu (PTB) gravou um vídeo em que critica Haddad. “Eu estou dando o recado direto e reto para o senhor prefeito, para o senhor secretário de transporte: os senhores estão vendidos”. “Os senhores querem confusão em São Paulo e vão ter.”

“Na manhã desta sexta, Haddad comentou as críticas feitas pelo parlamentar. “É lamentável que um vereador esteja incitando a violência na cidade de São Paulo. Queremos estabelecer o diálogo. Ninguém quer impor modelos, queremos debater modelos para melhorar a qualidade dos serviços prestados na cidade.” G1

UBER
Confronto no Hotel Unique

“Na noite de quinta-feira (28) ocorreu um baile de uma revista de luxo em um hotel na zona sul de São Paulo. Taxistas decidiram tentar impedir a entrada de supostos motoristas do aplicativo no hotel onde ocorria uma festa. Em vídeo feito durante a noite, Amadeu criticou declarações de Haddad sobre regularizar o serviço do Uber”.

— Senhor prefeito, o senhor é um doido, um doente mental se fizer isso. O senhor não sabe o que o senhor está mexendo.

A convocação dos taxistas para comparecerem ao local onde está instalado o Hotel onde aconteceu o baile foi feita pelo vereador, esse confronto foi decisivo para que a justiça concedesse a liminar que proíbe a prefeitura de fiscalizar o transporte remunerado por carros particulares na cidade de São Paulo.

Os fatos a cima descritos tem por objetivo demostrar que a categoria precisa rever seu apoio incondicional a pessoas, ao invés de apoiar suas ideias e propostas. Os taxistas assessores precisam se mostrarem a toda categoria e apresentar as propostas da atuação do vereador na Câmara Municipal na próxima legislatura.

Sobre Carlos Laia

A Voz Do Taxista é um portal de notícias criado por Carlos Laia para levar informações a classe dos taxistas, acompanhando os acontecimentos, dando opinião e ouvindo os principais personagens do incrível mundo do táxi.

1 Comentário

  1. Oi Carlos, achei muito bom seu texto, nunca fui com a cara desse Adilson Amadeu, ele esta lá a mais de 8 anos e só agora surge como um defensor da categoria, a linha de atuação dele só incita a violência, fora que só vejo ele fazendo carnaval, uma vez tentei falar com o gabinete dele para resolver um problema de sinalização em nosso ponto, me pediram para mandar um e-mail e o assunto ficou parado. Fora que o fato dele ter o rabo preso com o sindicato (afinal a filha do Natalício trabalha no gabinete dele) já tira pra mim toda legitimidade das suas ações.

    Se a categoria fosse esperta poderíamos ter vários representantes na câmara, exemplo do Salomão que ao meu ver sempre foi correto (e conseguiu resolver nosso problema do ponto) e tem seu nome relacionado ao Taxi a anos e você como novidade, mas o sindicato quer Lobby. Espero que a categoria pense um pouco mais.

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