Maioria dos motoristas da Uber não residem nos municípios onde trabalham

Regulamentação de aplicativos não obriga motoristas e carros serem do próprio município, um dos principais itens que colocará igualdade na concorrência entre táxi e aplicativos.

46% dos motoristas da Uber que trabalham em Campinas não moram na cidade

Metro

A Uber não divulga o número de motoristas cadastrados em Campinas, mas admite que 46% dos que atuam no sistema de transporte de passageiros na cidade são considerados “estrangeiros”, ou seja, moram em outras cidades da região.

E é justamente para combater o que considera uma “invasão”, que o projeto do Executivo que está para ser enviado à Câmara para regulamentar o serviço, vai prever uma espécie de trava.

De acordo com a proposta, para ter a autorização para trabalhar, o motorista terá de apresentar – entre outros itens – atestado de residência em Campinas. Além disso, o veiculo deve ser licenciado na cidade.

Segundo estimativas da ApTáxi, existem pelo menos dois mil motoristas em Campinas, trabalhando com o uso de aplicativos tipo Uber  ou Cabify. O número de permissionários de táxi é de 1.051.

A restrição tem encontrado resistência por parte das empresas de aplicativos. Por meio de nota, a Uber informou que eventuais tentativas da prefeitura de restringir a atividade “não levam em consideração as particularidades desse sistema de transporte, e acabariam por criar diversas redundâncias que cumpririam o único propósito de trazer ineficiências a um modelo que funciona”, diz a empresa.

A Uber sustenta que a medida é ilegal. “A limitação criada pela exigência de carros emplacados na cidade é inconstitucional e vai contra o direito que todas as pessoas de Campinas e região têm de gerar renda”, diz a empresa na nota.

“Além de impedir oportunidades a motoristas parceiros, a restrição tem como consequência prejudicar o acesso à população e contribuir para aumentar ainda mais o congestionamento em regiões conturbadas”, continua a empresa.

Para a Uber, a restrição de idade máxima de cinco anos do veículo também desestimula o compartilhamento de viagens em regiões periféricas e, ainda, se sobrepõe “desnecessariamente às inspeções mecânica e ambiental”.

No dia em que o projeto foi apresentado pela prefeitura, no final de agosto, o  diretor-geral da Cabify, Cláudio Azevêdo disse que a proposta é  “inconstitucional”. O diretor chegou mesmo a anunciar que o grupo vai ingressar na Justiça contra uma eventual aplicação das normas.

Reunião põe fim a uma série de divergências
Estão próximas do fim, as divergência entre a Câmara e o Executivo, em torno da regulamentação do uso de aplicativos no sistema de transporte de passageiros em Campinas.

Uma reunião entre o vereador Tico Costa (PP) – um dos autores do projeto que tramita no Legislativo – e o  secretário de Relações Institucionais da prefeitura, Wanderlei de Almeida , praticamente eliminou as diferenças.

Uma das questões levantadas pelo vereador diziam respeito à cobrança da taxa anual de R$ 333,00. Tico quer a substituição da taxa pelo desconto de 1% de ISS sobre cada corrida. A prefeitura ficou de estudar a mudança.

Outra situação que pode ser alterada trata da identificação dos veículos. O mais provável é que o adesivo seja discreto e colocado apenas ao vidro do carro.

A decisão sobre as mudanças devem ocorrer até amanhã.  “Foi uma conversa produtiva e acho que vai acabar sendo bom para a população”.

Carlos Laia

Taxista desde 2001, criador do site A Voz Do Taxista e da web Rádio Tera Byte. Nosso objetivo é levar notícias e informações sobre o táxi de todo Brasil a toda categoria, ouvindo representantes, autoridades e principalmente o taxista. Não temos vinculo com nenhuma entidade ou partido político.

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