Executivo que participou de escândalo ameaça processar a empresa Uber

Ele teria sido o responsável por obter os registros médicos de uma vítima de estupro

Enquanto a Uber há meses se es força para se livrar de sua antiga imagem ruim, Eric Alexander, seu antigo diretor de operações para a Ásia, está ameaçando processar a empresa.

De acordo com informações de fontes ligadas a ele, o executivo estaria preparando um processo por difamação e demissão irregular relacionado à sua dispensa da companhia em junho de 2017.

Eric Alexander
Eric Alexander

Foto: Canaltech

Alexander seria um dos principais envolvidos em um dos maiores escândalos já enfrentados pela Uber. Ele teria sido o responsável por obter os registros médicos de uma vítima de estupro, que teria sofrido o ato em um dos carros a serviço da empresa em Nova Deli, capital da Índia.

A análise dos documentos seria parte de uma tentativa de ocultar ou minimizar o caso, da qual o então CEO da companhia, Travis Kalanick, também teria feito parte.

A ameaça teria vindo na forma de uma carta aberta, enviada ao alto escalão da Uber por Alexander. No texto, ele afirma que teria sido alvo de uma campanha caluniosa voltada para transformá-lo em um alvo e símbolo do que há de errado na companhia. Ele chega a citar gente que estaria envolvida nessa operação – todas mulheres, como a antiga diretora de comunicações Rachel Whetstone, a responsável pelo RH da empresa, Liane Hornsey, e a diretora jurídica da companhia, Salle Yoo, entre outras.

Paralelamente, o executivo também estaria dando os primeiros passos em um processo judicial que cita não apenas a empresa, mas também Whetstone, que hoje trabalha para o Facebook, e Amy Kunrojpanya, diretora de comunicações da Uber para a região Ásia-Pacífico. Ele ainda diz ter sido parte integrante de uma tentativa de impedir a investigação pelo estupro ocorrido na Índia e transformado em bode expiatório do caso uma vez que essa iniciativa não deu certo.

O processo ainda não foi aceito pela Justiça e ainda estaria sendo analisado e finalizado pelos advogados de Alexander. Nem ele nem a Uber, porém, comentaram publicamente sobre essa possibilidade, apesar de fontes ligadas à empresa de transportes, falando em condição de anonimato, terem afirmado que ela não está preocupada com as alegações de seu ex-executivo. Ela planeja se defender caso o processo venha a ser aberto e considera absurdas as alegações do reclamante.

A tentativa de ocultar o estupro ocorrido em Nova Deli foi como o estopim final para as mudanças que ainda estão acontecendo na Uber. O caso aconteceu em 2014, quando uma mulher não identificada, de forma a proteger sua própria identidade, foi abusada sexualmente em um veículo a serviço da empresa. O motorista foi julgado e condenado à prisão perpétua.

Antes disso, porém, a Uber teria iniciado uma verdadeira operação para ofuscar o caso e, até mesmo, tentar atribuir responsabilidade à vítima. Os registros médicos obtidos por Alexander teriam sido mostrados a Kalanick e também outros executivos de alto escalão da empresa, até que membros do departamento jurídico teriam descoberto sobre isso e destruído os documentos.

Em busca de resolver os próprios problemas e se recuperar, a Uber iniciou uma auditoria interna que levantou mais de 200 problemas de gerenciamento e imagem. O resultado disso foi a demissão de mais de 20 executivos, o que incluiu Alexander, e mudanças profundas na forma como a companhia lida com o público, a imprensa e seus colaboradores. Kalanick, ex-CEO e fundador da companhia, também a deixou, tendo sido substituído por Dara Khosrowshahi.

A vítima de estupro está processando a Uber por violação de privacidade. Nos documentos, registrados em junho do ano passado, ela alega ter sido “violada duplamente pela companhia”, primeiro pelo motorista trabalhando a serviço dela e, depois, pela tentativa de ocultação. De acordo com a ação, Alexander teria obtido os registros médicos após contatos com a polícia de Nova Deli, mas essa informação nunca foi confirmada oficialmente

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios