Home / UBER-Transporte Clandestino / Um ano após Prefeitura de SP liberar aplicativos tipo Uber, motoristas trabalham 50% a mais para manter ganhos

Um ano após Prefeitura de SP liberar aplicativos tipo Uber, motoristas trabalham 50% a mais para manter ganhos

="adsbygoogle" style="display:block" data-ad-client="ca-pub-2309922433896559" data-ad-slot="9960967624" data-ad-format="auto">

Mercado de aplicativos cresceu e se diversificou; prefeitura afrouxou taxação na última semana.

Motoristas comentam mudanças um ano após regulamentação de apps em SP

Motoristas comentam mudanças um ano após regulamentação de apps em SP

Um ano após a Prefeitura de São Paulo regulamentar os aplicativos de transporte que oferecem valores diferenciados em relação aos táxis, como o Uber, os motoristas precisaram aumentar em até 50% a jornada de trabalho para conseguir a mesma remuneração que tinham há 12 meses, segundo profissionais ouvidos pelo G1.

O segmento cresceu e deixou de ser marcado por carros de luxo com água e balinhas. O número de veículos chegou a 50 mil, superando os 38 mil táxis da cidade, segundo o prefeito João Doria (PSDB). Surgiram até serviços voltados a ciclistas e pessoas com animais de estimação.

Seis empresas foram credenciadas e cinco já oferecem o serviço com tarifas diferentes das cobradas normalmente pelos táxis. Além do Uber, foram credenciadas a Cabify, a Easy Taxi (com o serviço EasyGo), a 99 (com o serviço 99 POP) e o Lady Driver, empresas que preveem continuar expandindo seus serviços.

Os rendimentos diários, porém, já não são os mesmos, segundo o motorista Carlos Elias do Nascimento. “Se a gente vai trabalhar só com aplicativos, a gente tem que ralar bastante, tem que trabalhar o dia inteiro pra ter um ganho compatível ao que eu tinha antes”, diz o motorista que trabalha com a 99 POP e com a Uber.

Erick Amaral diz que está tendo de trabalhar mais para ganhar a mesma coisa (Foto: Tatiana Santiago/G1)Erick Amaral diz que está tendo de trabalhar mais para ganhar a mesma coisa (Foto: Tatiana Santiago/G1)

Erick Amaral diz que está tendo de trabalhar mais para ganhar a mesma coisa (Foto: Tatiana Santiago/G1)

A crise econômica também colaborou para o aumento de carros com aplicativos, já que muitos motoristas passaram a utilizar o serviço como fonte de renda principal ou complementar.

O motorista Flávio Costa, de 44 anos, foi um dos que deixaram seu antigo trabalho como motorista de ônibus para virar “Uber”. “Antigamente, a gente chegava a fazer 40 a 50 atendimentos por dia quando só tinha Uber Black. Hoje, a gente não consegue fazer 15 atendimentos ao dia. A demanda continua a mesma, só que a quantidade de motoristas é grande”, diz. Ele afirma que consegue ganhar R$ 200 por dia se trabalhar 18 horas.

Além do aumento de motoristas do Uber, a primeira empresa do setor a se instalar na capital, a chegada de concorrentes tornou a disputa mais acirrada, na opinião do motorista Welzo Silva, de 29 anos. A jornada de trabalho dele aumentou de 8 para 12 horas.

Motoristas dos concorrentes também relatam mais trabalho neste ano. Erick Amaral, credenciado do Cabify, conta que sua jornada também aumentou em 4 horas.

Flavio Vasconcelos da Costa piorou seus rendimentos (Foto: Tatiana Santiago/G1)Flavio Vasconcelos da Costa piorou seus rendimentos (Foto: Tatiana Santiago/G1)

Flavio Vasconcelos da Costa piorou seus rendimentos (Foto: Tatiana Santiago/G1)

Regulamentação

A regulamentação dos serviços de transporte por aplicativo envolve uma queda de braço que ainda parece longe de acabar. Na capital paulista, o serviço só foi regulamentado após muita discussão, brigas com taxistas e apreensão de vários carros do Uber.

As normas editadas pelo então prefeito Fernando Haddad (PT) e publicadas em 10 de maio de 2016 obrigaram as empresas a se credenciar na Prefeitura para poder usar o viário da cidade. Ficou determinado que elas pagariam R$ 0,10 por km rodado. Até março deste ano, a prefeitura de São Paulo já tinha arrecadado R$ 47,5 milhões com o serviço.

A regulamentação, porém, não foi o fim da disputa. Em outubro, a gestão Haddad decidiu aumentar a taxa para até R$ 0,40, dependendo da quantidade de quilômetros rodados por hora pelas empresas. O objetivo divulgado foi taxar mais as empresas que mais rodavam, evitando o monopólio. O líder do segmento seria o Uber.

A taxa progressiva chegou a ser suspensa pela Justiça entre outubro e dezembro, quando caiu a liminar. Apenas em março, a gestão Doria afirmou que retomou a tabela da cobrança progressiva.

="adsbygoogle" style="display:block" data-ad-client="ca-pub-2309922433896559" data-ad-slot="9960967624" data-ad-format="auto">

Na última sexta, porém, a Prefeitura publicou nova tabela suavizando as taxas. Também foi alterada a meta da Prefeitura de permitir que as empresas de aplicativos rodam o equivalente a no máximo 5 mil taxistas, de modo a não causar concorrência predatória. Agora, as empresas podem rodar o equivalente a 10 mil taxistas. A gestão Doria não informa, porém, como está o cumprimento dessa meta.

O motorista Cleidson dos Santos diz que a relação com os taxistas melhorou (Foto: Tatiana Santiago/G1)O motorista Cleidson dos Santos diz que a relação com os taxistas melhorou (Foto: Tatiana Santiago/G1)

O motorista Cleidson dos Santos diz que a relação com os taxistas melhorou (Foto: Tatiana Santiago/G1)

Relação com os taxistas

Os motoristas dos serviços de aplicativos relatam que o relacionamento com os taxistas melhorou após a regularização do serviço. “Mudou bastante coisa, não somos mais perseguidos por taxistas, isso nos deixou mais aliviados”, disse Cleidson Aguiar dos Santos, de 36 anos.

Apesar da melhoria no relacionamento, alguns motoristas ressaltam que ainda encontram hostilidade nas ruas. “Os taxistas não aceitam essa modalidade, não querem ver esse trabalho seguindo adiante. Eles são muitos hostis perto dos pontos de táxi quando a gente embarca algum passageiro”, disse Erick Amaral.

O Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo afirma que a categoria chegou a perder 50% dos clientes e do faturamento em razão da crise e da concorrência dos aplicativos. Para amenizar o impacto, os taxistas toparam o fim da cobrança da bandeira 2 e da taxa de 50% para viagens a outros municípios. Segundo o sindicato, já há uma retomada de clientes em 2017.

A principal esperança da categoria, porém, é a aprovação de um projeto de lei que determina que os aplicativos são um meio de transporte de natureza pública, e que, por isso os motoristas precisam de autorização das prefeituras. Um projeto com essas características foi aprovado na Câmara em abril e seguiu para o Senado.

Luiz Moura, motorista de Uber em São Paulo (Foto: Tatiana Santiago/G1)Luiz Moura, motorista de Uber em São Paulo (Foto: Tatiana Santiago/G1)

Luiz Moura, motorista de Uber em São Paulo (Foto: Tatiana Santiago/G1)

As empresas de aplicativos criticam o texto e afirmam que ele pode inviabilizar a prestação do serviço no país. Cabify, 99, Easy Taxi e Lady Driver elogiaram a regulamentação do serviço feita em São Paulo e destacaram o fato de as empresas terem participado da elaboração das normas.

Os taxistas também continuam pressionando a Prefeitura de São Paulo, que desde o dia 2 está liberada pela Justiça para fiscalizar o aplicativo Uber. A ação em que foi concedida liminar garantindo que não haveria fiscalização ao Uber foi extinta.

A Prefeitura afirma que prepara uma portaria por meio da qual regulamentará o dispositivo do decreto que determina que os carros e motoristas dos aplicativos se submetam a controle de qualidade e segurança. Trata-se do artigo 15, que afirma que os motoristas devem ter o Condutax, um documento que atesta que foi dado treinamento e que também é exigido dos taxistas.

Empresas

Sobre a constatação feita pela categoria de motoristas em relação ao setor, empresas afirmaram que pautam sua atuação considerando também a satisfação dos motoristas parceiros.

A 99 afirmou que “busca incentivar os motoristas usuários de seu aplicativo a evitar jornadas excessivas, oferecendo sempre a taxa de aplicativo mais baixa do mercado”. São 12,99% para táxis e 16,99% para o POP (modalidade de carro particular da startup), contra ate 30% cobrados no mercado”, disse. “Ganhando mais por corrida, o motorista que vai de 99 tem mais condições de equilibrar sua jornada”, afirmou a empresa.

A Ladry Driver afirmou que está no mercado há apenas 2 meses e que, portanto, não tem como constatar ganhos de um ano atrás. “Temos inúmeros relatos de que dirigir para aplicativos está ajudando a vida de muitas mulheres. Muitas de nossas motoristas são universitárias, mães, avós, chefes de família e dizem que este trabalho proporciona uma boa renda e flexibilidade de horários”, afirma a empresa.

A Cabify disse que direciona a sua operação com base na satisfação financeira e dos motoristas parceiros. Por isso, adota em todas as cidades em que atua a estratégia de crescimento em etapas, que consiste em aceitar mais carros e motoristas parceiros à medida que a demanda aumenta. “Assim, as ruas não ficam sobrecarregadas de carros operando pela plataforma, o que reflete na redução da renda dos mesmos. Além do compromisso com a renda dos motoristas parceiros, a estratégia permite que a Cabify siga com um de seus principais diferenciais: não cobrar tarifa dinâmica dos passageiros”, diz.

O G1 aguarda o possível posicionamento das outras empresas do setor sobre o tema.

Fonte: G1

="adsbygoogle" style="display:block" data-ad-client="ca-pub-2309922433896559" data-ad-slot="9960967624" data-ad-format="auto">

Sobre Carlos Laia

A Voz Do Taxista é um portal de notícias criado por Carlos Laia para levar informações a classe dos taxistas, acompanhando os acontecimentos, dando opinião e ouvindo os principais personagens do incrível mundo do táxi.

DEIXE SUA OPINIÃO!